Coloque um título aqui

June 22 2016
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Sobre a exposição “COLOQUE UM TÍTULO AQUI”

Uns tomam éter, outros cocaína
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.
Mistura muito excelente de chás...
- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal:
Esta foi açafata...
De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil...

Manuel Bandeira

A polifonia caótica de nossa realidade brasileira – tão bem representada pela decadência de um carnaval insistentemente reavivado ou pela já folclórica alegoria de nossas instituições monárquicas embalsamadas – se materializa nessa mostra. Uma assemblage na forma de exposição. Para além da variedade de técnicas e formas de expressão, a multiplicação das falas estende-se a um somatório de proposições e dúvidas diversas sobre corpo, cidade, gênero, arte, vida.

Uma mescla de restos de tintas esparramada no chão. Um entulho de livros agrupados sem nexo, reunidos pelo acaso. Como o encontro de ruas ou um acidente televisionado simultâneo a um escândalo político. Acasos reunidos pela coincidência

Um corpo silencioso que vibra diante do trágico. Cerâmicas portugaysas. O espaço estreito de um beco ainda comove o olhar. Assim como o próprio beco. A pintura meticulosa de espaços interiores e corredores solitários interpreta a gravura com desenhos deliberadamente inábeis de cidades-satélites quase inabitáveis. Da mesma forma que desenhos de heterotopias fabulares se dispôem sobre a ordem dissonante de colagens de propagandas e reportagens ordinárias, que ganham o status de pintura. O hiato entre uma pintura imperfeita, com o propósito ornamental, e uma performance queer, conscientemente iconoclasta, se estreita quando visto à distância, sob a mesma ótica de quem mira uma paisagem urbana. Pois todas as paisagens urbanas são igualmente sujas e monótonas. Mesmo que o silêncio da fotografia – de um bairro abandonado, de uma cidade aparentemente real ou de uma mentira arquitetônica facetada pelo olhar que percorre espaços pré ou pós-industriais – seja uma promessa de alívio ou de mero pacto e resignação, ainda assim é ruído; aqui, onde tudo ainda é construção e já é ruína. A pichação-pintura- fanzine, um escárnio ativista, é mais uma camada sobre o chão onde meu olho pousa. 

Eis o amontoado que ainda carece de título. Cada um dos artistas dessa mostra parece confirmar a ideia do que continuamente tentamos fazer no mundo da cultura – entendermos a nós mesmos naquilo que podemos reconhecer como nosso no diferente. Mas há que se derrubar essa perspectiva e fundar uma nova: aquela que, diante do outro, nos devolve uma imagem irreconhecível de nós mesmos. Nessa direção, olhar o outro é nos desconstruirmos e nos transformarmos, não mais nos reconhecermos ou simplesmente nos diferenciarmos.

Talvez, de alguma forma, essa exposição aproxime-se também do embrião da ideia do “comum” que banha os recentes movimentos multitudinários em nosso país e fora dele. O espaço comum, conforme o blog Indisciplinar, é “de todos e de ninguém”, é feito dos “espaços das alteridades” e é “coleção de instantes de intensidades”. Os desejos aí são coletivos, mas não o são os pensamentos, abertos à partilha, às trocas complexas e difíceis e à transformação.

Finalmente pode ser que façamos ainda certo diálogo com o que Mário de Andrade chama de harmonia. Ao invés de haver melodia nessa exposição, ou seja, uma sequência lógica de vozes, contendo, como o poeta diz em seu Prefácio Interessantíssimo, “pensamento inteligível”, o que está aí são vozes que se sobrepõem à espera de um sentido que nunca se completa. A harmonia, partindo assim da visão de Mário, não é um acordo de todos os elementos, mas um atributo eloquente do que gera poesia sem se resolver.


Marc Davi e Marta Neves

Mostra Minas

April 04 2016
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Afluente

December 12 2015
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“De qual obra de arte você se considera um afluente?” Esta pergunta foi feita a artistas mineiros de diferentes gerações e o resultado estará na coletiva Afluente, uma parceria da galeria Mama/Cadela e da AM Galeria, a partir deste sábado (12). 

Bruno Cançado, Bruno Duque, Eduardo Fonseca, Gustavo Maia, Leonora Weissmann e Sylvia Amélia juntaram-se aos convidados Cristiano Rennó, José Bento, Patrícia Leite e os artistas do coletivo Selvagens Nocivos - Marilá Dardot, Rodrigo Matheus e Sara Ramo.

A proposta da mostra partiu da curadora Emmanuelle Grossi. “Os artistas tiveram liberdade para propor obras que achassem pertinente mostrar, que se relacionassem com o tema e com o momento atual. No geral são proposições que abordam o fazer da arte, a política e a família”, explica. As peças passam por diferentes suportes artísticos, como pintura, instalação, vídeo, escultura, pintura mural, fotografia e recortes colagem. 

Cristiano Rennó apresenta uma grande instalação interativa, chamada "Polimorfo"; 

a pintora Patrícia Leite aborda questões ligadas à natureza e ao desastre do Rio Doce, em obra feita especialmente para a exposição; 

O coletivo "Selvagens Nocivos" traz um vídeo de 2003, que continua atual. No filme "A cada dia", feito com câmeras de segurança, uma reflexão sobre a natureza do trabalho artístico por meio de frases com antigos escritos didáticos. 

Afluente trabalha a questão do próprio fazer do artista, suas referências, sua temática. Sylvia Amélia expõe uma série inédita de recortes em preto e branco, que explora o processo de escritura na utilização da tesoura como ferramenta de escrita. 

Gustavo Maia também trabalha uma instalação feita a partir de vestígios de restos e outras pinturas. Eduardo Fonseca, mais uma vez, explora questões relativas ao desastre ambiental em um grande mural, com a política mergulhada na lama.

A exposição fica aberta à visitação na Galeria Mama/Cadela até o dia 16 de janeiro. Esta é a primeira vez que a parceria acontece entre galerias da capital mineira. A iniciativa vai continuar em 2016, propondo encontros entre artistas de diferentes gerações, além de proporcionar um trabalho de interlocução com a jovem produção mineira.

Ruína e Reconstrução

October 24 2015
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Não confie em ninguém com mais de 40

April 12 2015
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Exposição “Não confie em ninguém com mais de 40” no Viaduto das Artes

O Viaduto das Artes tem a satisfação de convidar para o vernissage do dia 11 de abril de 2015, de 15 às 19 horas, para a mostra intitulada “Não confie em ninguém com mais de 40”. Uma exposição coletiva que reúne diferentes e significativos artistas de diversos segmentos das artes plásticas de Minas Gerais. A mostra é composta por 24 artistas de diversas manifestações, da linguagem urbana ao vídeo, da pintura à fotografia, nas suas múltiplas técnicas e interpretações. Todos os artistas trabalharam em uma dimensão única de 40x40cm com total liberdade temática.

São eles: Adriel Visoto, Alexandre Rato, Ângelo Issa, Daniel Moreira, Daniel Pinho, Domingos Mazzilli, Gabriela Brasileiro, Guilherme Cunha, Gustavo Maia, João Maciel, Jônatas Milagres, Juçara Costa, Leandro Gabriel, Léo Brizola, Manuel Carvalho, Mara Martins, Marcelo Albuquerque, Miguel Gontijo, Nilo Zack, Paulo Torres, Samuel Oliveira, Sérgio Vaz, Túlio Massula e Warley Desali.

Curadoria: Paulo Terra Caldeira.


Horda

April 15 2014
Horda
Horda
15 de abril a 09 de maio

Horda reúne trabalhos de Gustavo Maia e João Maciel, que explicitam cada um à sua maneira, os percursos e percalços que formam as imagens imanentes ao corpo e escopo de suas obras.  

De onde o artista extrai seu “vocabulário”? Em seu cerne, uma horda
de palavras, verbetes e expressões colidem entropicamente no mesmo espaço intangível em que eclodem, tomam forma e se agigantam ou esmaecem, num oceano aparentemente infinito de possibilidades. De tempos em tempos, emerge uma luz salvífica, sinalizando sentidos que encorpam e direcionam as idéias tornando impossível retê-las. O trabalho resultante é fruto do esforço de minimizar as proporções, conforme Duchamp, "entre o que permanece inexpresso embora intencionado, e o que é expresso não intencionalmente".

Da raiz desse embate, onde atuam concepções subjetivas fundamentais sobre a vida e a arte, emerge um atestado sobre as prioridades e interesses do artista, suas referências, além de inseparáveis  ressonâncias das épocas e lugares em que viveu.

Nesses tempos, em que todas as imagens parecem já estarem feitas, e toda
a informação do mundo está ao alcance de nossas mãos, o artista, além
de  "antena da raça", como propunha Ezra Pound, torna-se também uma espécie de "filtro". Pois, em seu ofício, cabe-lhe agora buscar uma ação mais subtrativa do que aditiva. Assim, por eliminação, seleciona sua matéria de trabalho e condensa a obra em
 linguagem  polissêmica, capaz de acolher significados inesgotáveis.

Gustavo Maia

Antimônio

December 13 2013
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COISAS QUE SÃO OPOSTAS À SOLIDÃO

Estar inteiro em uma situação
Essa situação precisa te deslocar
Antimônio = massa atômica 121,8 u. Elemento químico (símbolo Sb) de número atômico 51
Mudar com o processo
Luiz Henrique Vieira; Bruno Duque; RobertoBellini; Auto-algo; identificar-se; outro em mim – eu no outro
Encontrar uma forma de se expressar
Se expressar pode ser doloroso
Se transformar ao escutar
Sentir preocupação
Alexandre Rato; Warlei Desali; João Maciel; desprendimento; mistura livre; com liberdade
As pessoas serem lugares
Encontrar-se no estado sólido, transpirante ou pulsante, à temperatura ambiente
Renata Laguardia; Gustavo Maia; Manuel Carvalho; janelas de um mundo presente
Ser orientado
Intervir, interferir, Eduardo Recife
Sentir-se parte do coletivo
Conhecimento não contido
Estar com, Helder Profeta, estar para
Estar (d)entre livros
Fazer sentido: sentir
Expor-se


Uma exposição de arte pode ser um campo de conflitos. Um campo onde coisas que não necessariamente se juntariam, juntam-se. E assim, esse campo de conflitos pode ser um chão de discussão, de comparação, de ajuntamento, de experiências e de saberes. Conflitar-se...
A exposição coletiva Antimônio reúne os artistas Alexandre Rato, Bruno Duque, Luiz Henrique Vieira, Eduardo Recife, Gustavo Maia, Helder Profeta, João Maciel, Manuel Carvalho, Renata Laguardia, Roberto Bellini e Warley Desali num emaranhado de possibilidades que se aproximam em subconjuntos, mas que não se completam, preservando a individualidade de cada obra trazida para a mostra. Sem forçar conexões, encontra-se uma palavra que sintetiza a ligação presente nessa exposição: Antimônio = oposto à solidão.
A mostra é a primeira coletiva da Galeria Mama/Cadela nessa nova proposta. Eu a chamaria de faxina... percebendo a fluidez de algo que se transforma, sendo obras, trabalhos, intenções e  palavras ao prazer de tirar as coisas do lugar e ir (re)conhecendo coisas perdidas... é possível sentir entradas e retiradas de pensamentos, o encantamento de ver a construção e o cheiro do novo impregnado ao essencial. A exposição é um convite a deter-se diante de cada obra e sentir-se junto, acompanhado, presente e não-só. Convida a cada expectador/participante a responder a pergunta: o que pode ser oposto à solidão? Onde todas as respostas são bem-vindas e te permite contaminar por um universo particular das definições de conceitos, fantasioso e pertencente à cada indivíduo.

Maria Clara Rocha 

spam

August 05 2013
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Spam

No período de 05 de agosto a 13 de setembro de 2013, a Biblioteca da FCH apresenta, para toda a comunidade acadêmica, a Exposição Spam, com obras dos artistas Gustavo Maia e Manuel Carvalho. A mostra, parte do Projeto Mais Arte na Biblioteca, tem a curadoria do professor Gladston Mamede.

A série Spam, desenvolvida pelos artistas plásticos Gustavo Maia e Manuel Carvalho, é um projeto de pintura em parceria. Segundo os artistas, Spam entrelaça a expressão plástica individual e pretende elaborar sentidos a partir da massa caótica de imagens em que estamos submersos. 

O trabalho realizado desde 2009 e já exposto em diversos locais, é desenvolvido a partir da apropriação, reprodução e manipulação do enorme contingente de produtos e subprodutos da era da imagem. Spam é, portanto, um nevoeiro de imagens, figuras humanas e animais que transitam e reagem de formas distintas, evocando sentimentos que vão desde excitação e maravilhamento a abandono e desespero.

SERVIÇO
Exposição Spam
Artistas: Gustavo Maia e Manuel Carvalho
Período: 05 de agosto a 13 de setembro de 2013
Curador: Prof. Gladston Mamede
Projeto Mais Arte na Biblioteca
Local: Biblioteca da FCH
Horário: 07h30min até 22h30min (segunda a sexta-feira.) | 08h às 14h (sábados).
Contatos: (31) 3228-3033 | biblioteca.fch@fumec.br
Entrada franca. 

Projeto parede - Sesc Palladium

July 15 2013
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Geometria Encontrada

April 10 2013
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